Conecte-se

por Nereide Michel em 21/03/2018

Sensibilidade é um dos principais atributos para quem quer se dedicar à arte fotográfica. E esta é encontrada em alta dosagem no trabalho de Gabriel Bonfim, um brasileiro que desconhece fronteiras – físicas ou não – ao direcionar o foco de sua máquina para registrar imagens. Imagens que são para ser vistas e sentidas! Talvez, mais sentidas, dado o alto grau de emoção que ele adiciona a cada um dos seus clics, que seguem temas bem específicos para mexer com conceitos e atitudes de quem fica diante de suas fotos.

Uma oportunidade para conferir como é o processo de empatia entre Gabriel e o público está em duas exposições de sua autoria e que estão no Solar do Barão. A série De Fotografia à Tactography™ é composta por 14 obras em alto-relevo impressas através de avançadas técnicas de impressão 3D. A origem desta seleção de fotos já demonstra o envolvimento sentimental dele  com o foco do seu trabalho.  Em 2014, Gabriel  fotografou em Istambul Andrea Bocelli e sua família. Por causa de sua deficiência visual o tenor não poderia apreciar os retratos e isso o motivou a buscar uma solução para que também cegos pudessem  “ver” – através do tato – as imagens capturadas por uma câmera fotográfica. Uma tarefa que teve a parceria de Thomas Kurer, gerente do seu acervo.

A exposição completa-se com outra série de fotos também produzidas tridimensionalmente e que tem como protagonista o bailarino catarinense Denis Vieira, que integra o Ballet da Ópera de Zurique. Aliás, a Suiça foi o país escolhido pelo paulista Gabriel Bonfim para viver e trabalhar depois de anos de aprendizado e viagens pela Holanda, Alemanha e Bélgica.

O resultado surpreende quando se percebe que a ausência de cores nas imagens se transforma em luz para quem não pode vê-las, mas senti-las.

O “M.” QUE FAZ PENSAR

A segunda exposição de trabalhos de Gabriel Bonfim, que também pode ser visitada no Solar do Barão, é um forte recado para quem “tem olhos, mas não vê”. Para quem enxerga a sua imagem em um espelho,  mas pouco percebe do que se passa ao seu redor. As retratadas. desta vez.  são mulheres brasileiras – daí o M. que nomeia a mostra – que tiveram ou ainda têm que ultrapassar limites  impostos por uma parcela da sociedade para vencerem e serem reconhecidas pelo que são e como são.

Tudo começou com uma foto tirada pelo fotógrafo-artista da modelo transexual Melissa Rodrigues, na emblemática Escadaria Selarón, no Rio de Janeiro, em 2013. Melissa iniciou o seu processo de transição ainda na adolescência quando já era alvo de transfobia. Venceu!

 Andreza Aguida, engenheira,modelo e artista, superou os comentários maldosos, dos quais foi alvo na infância e adolescência, por parte de quem a julgavam “estranha” por ser albina. Venceu!

Naiana Ribeiro é jornalista – comanda a revista e portal Plus- e ativista em movimentos como “Vai ter gorda na praia”. Vítima de constantes discursos gordofóbicos deu o troco “sentindo-se plena e realizada”  posando inclusive para ensaios sensuais. Venceu!

EXPOSIÇÕES

De Fotografia à Tactography™ e Projeto M. do fotógrafo Gabriel Bonfim estão no  Museu da Fotografia da Cidade de Curitiba, no Solar do Barão, Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 533- Centro.

Até o dia 10 de junho de 2018

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