Vitrines Curitibanas

por Nereide Michel em 28/09/2018

A moda paranaense tem em seu currículo nomes icônicos, como Jefferson Kulig, que marcou presença na grade de desfiles da São Paulo Fashion Week, e Icarius, que integrou a programação do circuito internacional levando instigantes coleções à passarela parisiense. Os curitibanos, sem dúvida, serviram de estímulo para que muitos jovens optassem pelo Estilismo como profissão. O nosso estado, aliás, ocupa no cenário nacional uma posição privilegiada no setor da confecção com dois polos bem definidos no segmento: o da produção industrial e o da criação de roupas e acessórios com selo autoral.

O primeiro estágio, sem dúvida, para se conquistar a sonhada vitrine para uma marca é buscar cursos de formação que possibilitem uma base teórica e prática para um empreendimento bem sucedido no exigente mercado da moda. Eventos, como o ID Fashion, que nascem em ambientes institucionalizados, têm como objetivo abrir um canal entre o que se aprende em uma sala de aula e os desafios que futuros designers de moda enfrentarão no mundo real dos negócios. A edição 2018 do ID, que aconteceu nos dias 25 e 26 de setembro, no Centro de Exposições Horácio Sabino Coimbra, Campus da Indústria da FIEP, realizadora do evento, que tem o Sebrae/PR como correalizador, reforçou em suas ações este importante vínculo entre estas duas realidades, que devem ser complementares.

Na sua quarta edição – as duas últimas realizadas no “quintal” do curso de Design de Moda das Faculdades da Indústria do Sistema Fiep – o ID Fashion manteve um espaço privilegiado aos inscritos nesta unidade de ensino. O User Experience reuniu seis equipes de estudantes que mostraram em um exercício ao vivo como são confeccionadas as peças, desde o design, modelagem planificada, corte e costura industrial, até o acabamento com técnicas handmade.

Mas, além deste espaço, toda a programação do evento se transformou em  uma ampla e diversificada sala de aula, onde a aprendizagem teve várias plataformas: no Living Lab&Store empresários do setor e consumidores, formadores de opinião e especialistas trocaram informações e impressões. No ID Talk a experiência de profissionais, especializados em uma das diversas manifestações do exercício da moda, foi transmitida através de palestras e bate-papos.

O consumidor de 2020 esteve no alvo do diretor da WGSN Mindset, Luiz Arruda, um verdadeiro caçador de tendências. Projetando o que vai acontecer a daqui dois anos, citou o compartilhamento como opção ao consumismo e ao exclusivismo em um mundo cada vez mais tecnológico.

A blogueira e escritora Cris Guerra fez uma viagem biográfica por suas opções de moda que, para ela, é uma importante aliada da autoestima. O exercício de observação a fez entender que não precisava engolir padrões e desejos alheios para escolher suas roupas e acessórios.

Os estilistas Akihito Júnior, Ronaldo Silvestre e a designer Daniela Nogueira trataram do tema “Mente, mãos e máquinas em conjunção”. Na sequência, “Moda Holística: um caminho para 2020” foi assunto para Daniela Nogueira.

ALÉM DO QUINTAL

Mesmo oportunizando uma experiência de aprendizagem in loco dos principais elos da corrente produtiva do setor da confecção, o ID define-se como uma proposta de portas abertas a todos os envolvidos e interessados em conhecer o que acontece dentro e fora dos bastidores da moda. O tema desta edição convidou à reflexão ao abordar “um mundo que muda a moda.”

E A PASSARELA?

É nela que se materializa a inspiração e o desenvolvimento de uma coleção diante do olhar exigente do consumidor. Por isso, não por acaso, é o objetivo da grande maioria dos estudantes de cursos preparatórios para o mercado da moda. Na 4ª edição do ID, 19 marcas de roupas e acessórios – entre já conhecidas no circuito comercial e iniciantes em busca de visibilidade – formaram a grade de desfiles do evento ou participaram de espaços como Catwalk New ID, Catwalk Sebrae/PR e Living Lab&Store destinado à exposição e comercialização de produtos.

LINE UP PRINCIPAL

LEVEZA DO SER

Conforto, mas não apenas isto. A estilista Angélica Sanches coloca a criatividade e uma experiência de mais de 20 anos no mercado da moda a serviço do desenvolvimento de coleções da Leveza do Ser. Elas fogem das soluções práticas que permeiam “uniformes usados em academias ou nos descontraídos passeios de finais de semana”. “Reencontro com o Novo”, tema do inverno 2019 da marca, mostrou um trabalho versátil, com detalhes, como aplicações de renda guipir, toques rústicos, arremates diferenciados de ribanas, que transformaram os looks em objetos de desejo de mulheres dinâmicas. As peças podem circular em vários ambientes sem dia e hora marcados para saírem dos cabides.

SORAYA DA PIEDADE

Angolana, residente em Curitiba, a estilista revela nas suas coleções a forte influência da cultura africana que soa familiar para os brasileiros, que têm na raça negra uma das bases da pluralidade de sua identidade. A coleção, batizada “Bantú Safari”, teve inspiração em uma incursão pelas manifestações artísticas do país de origem de Soraya da Piedade. Uma máscara étnica, de autoria da artista Ineza Teta, permeou o desfile das peças. Vestidos e conjuntos de calça e blazer exemplificaram na passarela o estilo sofisticado e forte, mas que não perde a delicadeza, da estilista.

RECCO

A simplicidade da vida marcou o desfile de lingerie da Recco, marca paranaense – de Maringá– presente em vitrines sofisticadas dos shoppings. A coleção revelou peças fluídas e leves, com modelagens confortáveis e soltas. Aviamentos com o toque artesanal  do macramê e estampas que representam em texturas e tramados o natural e o rústico – “this is the simple life”.

VALE DA SEDA

O coletivo de marcas de Maringá desfilou uma coleção minimalista, de formas descoladas do corpo, revelado apenas por uma transparência sutil. Amarrações para delinear, acabamentos rústicos, abotoamentos inusitados, referências orientais nos quimonos e pregas pontuais foram itens mostrados na passarela.

ELYANE FIUZA

Obras de três artistas plásticos curitibanos – Uiara Bartira, J. Mater e Guita Soifer – foram o ponto de partida ao desenvolvimento de coleção da marca curitibana de acessórios. As bolsas têm tamanhos variados, incluindo modelos transversais e máxis e a praticidade das mochilas. Detalhes metálicos, franjas e alças em couro trançado, inspirado em correntes, arremataram as peças. O couro, que entra na confecção das linhas assinadas pela designer Elyane Fiuza, provém de uma fábrica com sede na paranaense Palmeira.

SIX ONE

Muito brilho, animal print, fendas e decotes profundos marcaram a coleção de outono-inverno 2019 da marca de Cianorte. Os looks masculinos vieram abusando do preto e da alfaiataria, pontuados por arabescos. O jeans, forte presença nas coleções da Six One, foi misturado com tecidos mais nobres como a seda e aviamentos marcantes como ilhoses e zíperes em grandes extensões.

NOVOS TALENTOS

YSKI

“Corpos x Cores”, inspiração da estilista Juliana Sandeski para desenvolver uma coleção que expressa nos seus cortes e  no alto-relevo de seus bordados manuais, as modificações físicas – como a provocada pelo tatoo –   e suas relações com a moda. Glam e fun, a Yski propõe uma nova estética focada na liberdade de escolha de materiais ou de silhuetas.

A YSKI participou do Catwalk New ID que dá espaço a designers que estão dando os primeiros passos no mercado da moda. Espaço compartilhado com as marcas Transmuta e Empatize.

MILHO GUERREIRO

A moda colorida da Milho Guerreiro já completou mais de uma década. O estilo foi delineado pelos antigos proprietários da marca e mantém-se no alvo dos seus novos responsáveis. “Botânica”, tema seguido nesta temporada, ensejou na passarela looks como a Saia Lavanda, a Bata Mnjericão e o Vestido Flores de Amor.

Milho Guerreiro dividiu no ID Fashion o espaço Catwalk Sebrae/PR com as marcas All Hunter, Carla Bergamask, Carlina Brugnera e FZO.

 

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