Coisas Novas

por Nereide Michel em 02/07/2026

Projetar um ambiente com uma finalidade específica, como é o caso de uma área comercial, exige que arquitetos e designers, envolvidos na obra, façam uma análise mais aprofundada do que vai ser passado do papel à realidade. Quando se trata de restaurante, bar, café ou confeitaria, por exemplo, ao item obrigatório de atender às expectativas do proprietário soma-se a importância de aliar o trabalho do profissional ao propósito do estabelecimento. Não raras vezes, o cardápio – com as opções da culinária do local – é objeto de consulta constante durante a formatação do espaço. A proposta também deve levar em consideração a história, a cultura e a afetividade embutidas na origem do empreendimento.  

 NA PRAÇA OSÓRIO, DESDE 1904

André Henning / Divulgação

História e cultura se mesclaram quando o arquiteto André Henning aceitou o desafio de devolver aos curitibanos um dos seus bares mais emblemáticos. O Bar Stuart, com mais de um século de existência, que ficou com as portas fechadas nos últimos dois anos e cinco meses. Uma imagem impensável não apenas para os seus assíduos frequentadores como também para os moradores da cidade cientes da importância de manter o passado preservado para as novas gerações – um dos pilares da sua identidade e um atrativo para turistas.

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Personagens, hábitos e memórias foram resgatados para compor um projeto arquitetônico, baseado em pesquisa histórica, curadoria cultural e valorização do patrimônio afetivo da capital paranaense. Segundo André Henning, a proposta do projeto foi preservar a essência do Stuart sem congelá-lo em uma única época. Nele, foram reunidas referências de diferentes fases de sua  existência: o balcão remete às décadas de 1930 e 1940; a iluminação resgata elementos dos anos 1990 e cores, revestimentos e acabamentos dialogam com os anos 2000. Reproduções de mobiliários históricos, lambris, porta-chapéus e outros elementos característicos ajudam a reconstruir a atmosfera que marcou diferentes períodos do bar.

Mais do que um ambiente gastronômico, o novo Stuart foi concebido para proporcionar uma experiência cultural. Ao percorrer o espaço, o público encontra fotografias, referências históricas, documentos, objetos e informações que ajudam a contextualizar a importância do local para a cidade e para as milhares de pessoas que fizeram parte de sua trajetória. Uma proposta que terá continuidade em breve na segunda etapa do projeto: um novo pavimento superior, concebido como uma grande área de cultura e convivência. Um museu vivo que vai expor itens de memorabilia coletados durante o processo de pesquisa e cedidos por antigos frequentadores, colaboradores e admiradores do bar ao longo dos últimos anos.

  AROMA DE PÃO CASEIRO

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Permanência e experiência. Reunir estas duas necessidades básicas da agitada rotina de quem vive no ritmo imposto pela globalização, está na origem do projeto que o escritório curitibano Spuma Studio desenvolveu para a Caramelia Atelier de Pães e Doces, em Balneário Camboriú. Nele, a opção por reunir arquitetura, luz e natureza no mesmo ambiente resultou em um refúgio urbano acolhedor e contemporâneo.

 O espaço de 200m², com capacidade para receber 40 pessoas, foi planejado como um convite para uma pausa no dia a dia, valorizando, assim, o tempo, o encontro e o ritual do pão e doces artesanais. Segundo o arquiteto Thiago Tanaka, que comanda o Spuma Studio com Guilherme Belotto e Camille Scopel,  “o projeto parte de uma linguagem minimalista e atemporal, explorando tons neutros, texturas naturais e uma paleta suave que remete à farinha, ao trigo e ao calor do forno, traduzindo na arquitetura os princípios da panificação artesanal: tempo, cuidado e simplicidade”.

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O balcão monolítico em mármore branco contrasta com a leveza das luminárias em fibra natural suspensas sobre o atendimento, criando um equilíbrio entre solidez e delicadeza. Já a fachada e as divisórias internas são marcadas por um painel perfurado com aberturas circulares, elemento que filtra a luz natural e projeta desenhos orgânicos ao longo do dia.

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O encontro com a natureza é marcado por uma árvore central, que organiza o espaço e cria o eixo do projeto. Reforça a sensação de acolhimento. O mobiliário em madeira clara, de desenho leve e linhas curvas, complementa o clima relaxante do ambiente.

IMPROVISO? NEM TANTO…

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À primeira visita poderia se pensar que seria uma tarefa simples, a confiada pelo empresário José Araújo ao arquiteto André Henning. O projeto para dar vida ao Floreria Café Bar – localizado na privilegiada vizinhança do Museu Oscar Niemeyer –  como um ambiente acolhedor e multifuncional para acompanhar diferentes momentos do dia do cliente. A proposta, contudo, incluiu o desafio de ser diferenciado de outros estabelecimentos similares. Na prática, gastronomia, convivência e bem-estar compartilhando o mesmo espaço, sim, mas de uma forma espontânea e despretensiosa. A sensação de improviso bem resolvido pautou, então, toda a execução da obra.

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Uma das principais características do projeto é a integração entre áreas internas e externas. Para ampliar essa sensação de fluidez, André Henning criou novos volumes laterais e posteriores, conectando diferentes ambientes por meio de percursos abertos, vegetação e abundante iluminação natural. A entrada de luz foi tratada como elemento central da composição arquitetônica. Através de iluminação zenital, grandes aberturas e áreas parcialmente cobertas, o espaço se transforma ao longo do dia, criando diferentes atmosferas para cada momento de uso.

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No Floreria, a escolha dos materiais foi pensada para construir contrastes e provocar descobertas visuais. Em vez de apostar em uma linguagem uniforme, o projeto valoriza a mistura de texturas, acabamentos e objetos de diferentes origens. Uma granitina original foi preservada e incorporada à nova composição, dialogando com outros revestimentos distribuídos pelos ambientes. Em determinados pontos, superfícies de mármore aparecem contrapostas a estruturas em madeira, criando um equilíbrio entre sofisticação e rusticidade.

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A diversidade presente no mobiliário dá dinamismo ao espaço: diferentes modelos de cadeiras convivem harmoniosamente com mesas de estilos variados, estantes abertas, peças garimpadas, móveis reaproveitados e elementos produzidos especialmente para o projeto. O diálogo do clássico com o contemporâneo cria uma composição rica e cheia de camadas. Madeira de demolição, objetos vintage, poltronas de inspiração retrô e elementos decorativos cuidadosamente selecionados ajudam a construir uma atmosfera acolhedora e autêntica. 

UM RANCHO EM SANTA FELICIDADE

@xuulioo

Se a proposta de um restaurante é oferecer atrativos que gerem permanência do cliente no espaço  – além de incluir no projeto uma ambientação que dialogue com o seu estilo ou preferência – o recém-inaugurado Alabama Ranch, na Manoel Ribas, em Santa Felicidade, cumpre com estas exigências. Como a inspiração veio dos tradicionais ranchos norte-americanos a sua estética remete, em cada detalhe, ao universo country do Velho Oeste. O empreendimento ocupa uma ampla propriedade, com quase, 4.000m², cercada por natureza e com estacionamento para mais de 100 veículos. A fachada, marcada por linhas que lembram uma construção  rural, funciona como um convite para um espaço que contribui para o diálogo entre arquitetura, decoração e gastronomia dialogam em todos os detalhes.

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Assinado pelo arquiteto Guilherme Bez, o projeto reinterpretou a arquitetura típica dos ranchos dos Estados Unidos sem recorrer a uma reprodução literal. A combinação entre madeira, estruturas aparentes, elementos naturais e iluminação cênica cria uma atmosfera contemporânea que valoriza a rusticidade e o aconchego. 

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A circulação fluida permite que o restaurante acomode diferentes perfis de público ao longo do dia, oferecendo desde momentos mais tranquilos para refeições em família até encontros entre amigos e experiências voltadas ao entretenimento.

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As perspectivas do projeto evidenciam a integração entre os diferentes ambientes, conectando salão principal, varanda, decks externos, áreas cobertas, bares, palco para apresentações musicais e espaços de convivência.