COISA NOVA CARDÁPIO

por Nereide Michel em 02/06/2026

 Por experiência própria ninguém duvida: a agenda acelerada foi definitivamente incorporada ao cotidiano. É um corre-corre para atender compromissos em casa e no trabalho. Oráculos da modernidade anteviam que a informatização chegaria para facilitar o cumprimento de tarefas e deixar mais tempo livre para o lazer. Mas, ao que parece, houve uma falha de avaliação: um mundo globalizado e digitalizado, na verdade, abriu ainda mais canais de comunicação, pesquisa, interação abrindo um leque amplo de possibilidades para se alcançar o mais simples dos objetivos. E o relógio não para de denunciar que estamos sempre atrasados. O de pulso foi substituído pela telinha do celular e nela, mil tentações, não vencidas, para dar uma espiada nas mensagens. Minutos roubados de um tempo precioso que poderia ser reservado para dar um break nas agitadas idas e vindas diárias.

QUE TAL ALMOÇAR EM CASA?

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Para uma boa parte da população esta é uma missão impossível nos chamados dias úteis. Mas pesquisas recentes apontam que a síndrome da “cozinha vazia” está longe de ser realidade por que existe, principalmente entre os brasileiros, uma relação afetiva muito forte no espaço dominado pelo forno e o fogão. Eles são bastante apegados à comida caseira sobretudo àquela que a mamãe ou a vovó preparava e servia com carinho.

Se o delivery mantém, por necessidade, uma certa preferência, mesmo com temperos a desejar, os pratos tradicionais da culinária brasileira continuam presentes não apenas nas lembranças dos bons e calmos tempos mas em forma de adaptações para preparos mais simples, congelamento inteligente e receitas pensadas para o dia a dia. É o que apontam dados da pesquisa Consumer Insights 2025, da Kantar, os brasileiros passaram a equilibrar mais o consumo entre delivery e comida feita em casa, principalmente após o aumento do custo das refeições fora do lar. Ao mesmo tempo, cresce o interesse por preparos mais econômicos e funcionais, especialmente aqueles que permitem reaproveitamento, congelamento e otimização de tempo.

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Para o criador de conteúdo e cozinheiro Juba Guedes, há um movimento claro de retorno à comida afetiva, dentro de uma lógica mais prática. “As pessoas continuam querendo comer arroz, feijão, carne de panela, farofa, moqueca. O que mudou foi o tempo disponível para cozinhar. Hoje, existe a necessidade de adaptar processos, organização e preparo à realidade da rotina”, afirma.

Comida caseira, aliás, é um assunto que Juba Guedes domina desde criança. Mineiro, aprendeu a cozinhar ainda na infância com a avó. Durante a pandemia, passou a compartilhar receitas nas redes sociais e viralizou com um pão de ló que alcançou milhões de visualizações. Desde então, construiu uma bem sucedida carreira de criador de conteúdo voltada à comida cotidiana brasileira, com preparos simples, técnicas acessíveis e sabores afetivos. 

DICAS PARA ECONOMIZAR TEMPO

Se a vontade de degustar o prato de preferência supera a falta de tempo, a praticidade entra como o caminho mais acertado. Receitas como baião de dois, escondidinho, feijão tropeiro e frango com quiabo ganharam versões adaptadas para panela de pressão elétrica, air fryer e montagens mais rápidas. Bases congeladas, temperos previamente preparados e proteínas já porcionadas também passaram a fazer parte da rotina dos cozinheiros apressados ou não. Entre as dicas de Juba Guedes, neste caso, estão o preparo antecipado de feijão em porções congeladas, carnes feitas na pressão para vários dias da semana, além de acompanhamentos “coringa”, como farofas, legumes assados e molhos prontos armazenados na geladeira.

ALÉM DO BÁSICO

 Cozinhar, mais do que uma necessidade básica, é recomendação para quem quer relaxar e se presentear com a oportunidade de reunir família e amigos para um reencontro temperado pelo afeto. Duas receitas, com ingredientes que lembram o quintal da casa da vovó, estão entre as que pode ser a escolhida como prato principal desse momento tão especial.

BRILHO DO OUTONO

Rubens Kato

Abóbora, gengibre e maracujá são os ingredientes principais da receita “Brilho do Outono” incluída no livro “Comidinhas Mágicas”, da premiada chef brasileira Manu Buffara. Um creme que resulta da irresistível  união do sabor adocicado da abóbora à intensidade do gengibre e à acidez do maracujá. 

Ingredientes

 1 colher (sopa) de azeite de oliva (15 ml)

1 cebola média picada (100 g)

2 dentes de alho picados (10 g)

1 colher (sopa) de gengibre fresco ralado (15 g)

500 g de abóbora descascada e picada

3 xícaras (chá) de caldo de legumes ou água (750 ml)

½ xícara (chá) de suco de maracujá (120 ml)

¼ xícara (chá) de creme de leite (60 ml)

Sal e pimenta-do-reino a gosto

Polpa de 1 maracujá para decorar (opcional)

 Modo de preparo

Aqueça o azeite em uma panela grande em fogo médio e refogue a cebola por 3 a 4 minutos. Acrescente o alho e o gengibre e refogue por mais 1 a 2 minutos. Adicione a abóbora e misture bem. Acrescente o caldo de legumes ou a água e cozinhe por cerca de 20 minutos, até a abóbora ficar macia. Bata o preparo com mixer ou liquidificador até obter um creme homogêneo. Retorne à panela e adicione o suco de maracujá e o creme de leite. Ajuste sal e pimenta e sirva quente. Finalize com polpa de maracujá, se desejar.

RABANETES ASSADOS COM MANTEIGA E ERVAS

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O rabanete vermelho da variedade Apolo se destaca pelo visual vibrante, textura crocante e sabor levemente picante, que traz frescor às preparações. Na culinária, ele também surpreende ao ganhar novas camadas de sabor quando preparado assado acompanhado de manteiga e ervas, que suavizam a sua picância natural e realçam a sua doçura. A sugestão é da ISLA Sementes, referência nacional em sementes de hortaliças e microverdes.

Ingredientes

1 maço de rabanete vermelho Apolo, bem lavado e cortado ao meio

2 colheres de sopa de manteiga

1 fio de azeite de oliva

Sal e pimenta-do-reino a gosto

Tomilho ou alecrim a gosto

Modo de preparo

Pré-aqueça o forno a 200 °C. Misture os rabanetes com manteiga derretida, azeite e temperos em uma assadeira. Disponha com a parte cortada virada para baixo para caramelizar. Asse por 15 a 20 minutos até ficarem macios e levemente dourados

As folhas também podem ser aproveitadas em preparações refogadas, ampliando o uso integral da hortaliça e reduzindo o desperdício.