Linkultura

por Nereide Michel em 02/06/2026

Ao se apreciar obras de arte em uma exposição nem sempre é tarefa simples separar o autor dos trabalhos, que estão diante dos olhos. de sua vida privada. Nela, contudo, reside muitas de suas inspirações, influências, conexões, enfim toda uma soma de particularidades que podem resultar, por exemplo, na sua adoção por um estilo ou total independência criativa. Um dos mais importantes artistas paranaenses, conhecido principalmente pelas suas impactantes esculturas, João Turin é o personagem principal de uma mostra inédita que ocupa do Teatro Cleon Jacques, no Memorial Paranista: “As correspondências perdidas de João Turin”. Composta por imagens projetadas, dispositivos sonoros e vitrines, ela reúne cartas, documentos e fotos da fase parisiense do escultor e pintor, encontrados recentemente e que agora são apresentados ao público. Um lado do reconhecidamente discreto artista é revelado agora e põe em relevância sua presença marcante e significativa em um ambiente e época nos quais fervilhavam talentos em ebulição e figuras ímpares na história da arte brasileira.

Reconhecido como um dos principais escultores do Brasil, Turin viveu mais de uma década na Europa em um momento de intensa efervescência artística. Anos depois de se formar na Academia Real de Belas Artes de Bruxelas (Bélgica), se instalou no bairro Montparnasse, em Paris, onde manteve um ateliê que se tornaria ponto de encontro e circulação de ideias entre artistas de diferentes origens. Ora remetente, ora destinatário o ateliê nº 20, situado na Rue Vercingétorix 52, foi um espaço por onde transitaram nomes referenciais do início do século XX, como Anita Malfatti, Victor Brecheret e Zaco Paraná, passando a construir uma rede viva de interlocuções artísticas. 

Para o gestor do acervo de João Turin, Samuel Ferrari Lago, “o conjunto documental amplia a compreensão da trajetória do artista. Essas cartas são extremamente importantes porque permitem compreender melhor a inserção de Turin no circuito artístico e reforçam a dimensão de sua trajetória”. Enquanto Rafaela Tasca, uma das curadoras da exposição, destaca que “as cartas evidenciam que Turin não estava à margem, mas integrado ao circuito artístico de sua época. Seu ateliê em Montparnasse o insere em um circuito ativo de artistas internacionais que por ali orbitavam.”

 “As correspondências perdidas de João Turin” é realizada pelo Acervo João Turin, com curadoria de Rafaela Tasca e Cecilia Bergamo, e apoio do Instituto Curitiba de Arte e Cultura (ICAC) e da Prefeitura de Curitiba.

ONDE ESTÁ

“AS CORRESPONDÊNCIAS PERDIDAS DE JOÃO TURIN”

Memorial Paranista,  Teatro Cleon Jacques

Mateus Leme, 4700, Parque São Lourenço, Curitiba 

Até 7 de junho

Visitação: terça a domingo, das 10h às 18h

Entrada: gratuita