por Nereide Michel em 17/06/2026
Letícia Linton e Cornélia Wendel estão lançando suas primeiras obras enquanto Adriana Moro já tem títulos conhecidos pelos leitores. Três autoras que ao misturarem ficção e realidade registram, com sensibilidade, experiências exemplares que levam à reflexão e abrem novas perspectivas de vida.

A sensibilidade criativa de Letícia Linton a levou a trabalhar, com delicadeza, peças preciosas que logo emprestaram o seu brilho a celebridades como a atriz Zendaya e a cantora, compositora e também atriz Mary J. Blige. O universo feminino, contudo, lhe abriu páginas em branco a serem preenchidas com convivências de sentimentos ora liberados, ora reprimidos, tão presentes no cotidiano de mães, esposas e profissionais. O resultado? “Uma Alma Inquieta”, obra editada pela Labrador, e que ela lançou em Curitiba no primeiro dia de junho na Livraria da Vila, do Pátio Batel.
Corinna é a protagonista do livro, que Letícia Linton descreve como “carregado de sensualidade”. Uma mulher madura, intensa e aparentemente realizada, que mergulha em uma jornada de autoconhecimento ao viver paixões inesperadas durante viagens pelo mundo. Limites entre desejo, liberdade, casamento, maternidade e identidade são então confrontados. Entre encontros arrebatadores, crises emocionais e reflexões profundas sobre o sentido da vida, ela passa a questionar a existência que construiu e busca coragem para finalmente viver de forma mais autêntica e fiel a si mesma. Por meio de uma prosa elegante, sensual e sensorial, a autora conduz o leitor por territórios de vulnerabilidade e arrebatamento, nos quais o corpo, tantas vezes estagnado pelo dever, volta a vibrar.
A agora escritora Leticia Linton é a definição de reinvenção. Self-made woman: designer de joias, também lidera a Joy. onde promove experiências transformadoras e diálogos profundos sobre viver a melhor versão de si.

Médica e escritora Cornelia Wendel é a autora de “Uma Maçã para Quatro”, publicada pela Editora Labrador, uma narrativa intensa que entrelaça memória, trauma e reconstrução ao longo de gerações marcadas pelos impactos da Segunda Guerra Mundial. Em suas mais de 400 páginas, a obra mergulha em experiências humanas profundas, tendo como pano de fundo o Holocausto, a migração e os desafios da adaptação em um novo país. A trajetória de Corina é o foco principal do livro, sua vida é moldada pelas cicatrizes emocionais herdadas de sua mãe, Bertha, sobrevivente direta das perseguições nazistas. Ao lado de personagens centrais como Ernest — avô e figura ligada à tradição judaica europeia — e Willy, ex-soldado alemão que busca reconstruir sua vida no Brasil, a narrativa explora as contradições entre passado e presente, culpa e sobrevivência, afeto e distanciamento.
Ambientada entre a Alemanha e o interior do Paraná – a autora nasceu em Rolândia, filha de um lavrador alemão e de uma dona de casa de origem judaica- “Uma Maçã para Quatro” aborda o choque cultural e a reconstrução de identidade em terras brasileiras. A adaptação dos personagens à vida rural, o isolamento social e os desafios familiares compõem um cenário denso, que reforça o caráter humano e universal da narrativa.
Com uma escrita sensível e detalhista, Cornelia Wendel estreia na literatura com uma obra que transcende o relato histórico e se consolida como um estudo sobre memória, pertencimento e herança emocional. “Uma Maçã para Quatro” convida o leitor a refletir sobre os efeitos duradouros das grandes tragédias do século XX — não apenas na história coletiva, mas nas relações íntimas que moldam cada indivíduo.


Reconhecida por transformar experiências humanas em textos sensíveis, Adriana Moro vai marcar presença na próxima Flip, que vai acontecer em julho, em Parati, com uma agenda voltada ao encontro entre literatura, reflexão e interação com leitores de todas as idades. Um relançamento e um lançamento estão no foco de sua participação. “As Meninas que Nunca Perderam a Graça” chega ao mercado em versão revisada e ampliada, com textos atualizados e uma história inédita. Já a novidade editorial “Quero ser Genial” enfatiza a criatividade para brincar com brinquedos feitos com os materiais menos prováveis buscando gerar maior conexão entre adultos e crianças. Na obra, a lógica do consumismo desenfreado por brinquedos tecnológicos é posta em cheque sem diminuir a importância da tecnologia. O ato de estar junto e colocar a criatividade para brincar como algo mais prazeroso do que ir a uma loja comprar um brinquedo é a proposta do livro.
Em “As Meninas que Nunca Perderam a Graça”, a autora reúne histórias inspiradas em situações de cuidado e relações humanas observadas ao longo de sua atuação profissional na área da saúde. Enfermeira, pesquisadora e pós-doutora em Saúde Pública, Adriana Moro construiu uma carreira literária marcada pela combinação entre sensibilidade narrativa e reflexão social. Já em seu primeiro livro, “Não me Chame de Mãe”, ela provocou reflexões profundas no leitor com a força de sua narrativa.
Uma mesa de conversa reunindo Adriana Moro e as escritoras Jeanine Geraldo e Taylane Cruz vai acontecer no dia 25 de julho, no espaço “Escreva Garota”, da Flip, abordando temas relacionados à escrita, produção literária, experiências femininas e os desafios da construção de uma carreira no universo editorial.
