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por Nereide Michel em 30/09/2026

 Os lançamentos, em Curitiba, de “Além da Escuridão – Razões para Ficar” e “Queimando Fronteiras” – documentários independentes –  ganharam destaque na agenda cultural de setembro. Mas suas propostas terão prazo de validade prolongado no calendário.

“Além da Escuridão – Razões para Ficar” / Frame do documenário.

O amarelo de setembro envolve um importante movimento nacional e agora internacional: o de valorização da vida. Uma iniciativa do psicoterapeuta André Baldo se insere nessa campanha de buscar o equilíbrio na saúde mental evitando assim que crises existenciais desencadeiem reações incontroláveis. O profissional produziu e dirigiu o documentário independente ““Além da Escuridão – Razões para Ficar” –   que abraça diversas ações sociais e já cruzou fronteiras chegando a Harvard – onde foram entrevistados destacados nomes da filosofia, psicologia e líderes espirituais dentro e fora do Brasil. Desde o seu recente lançamento, o projeto em andamento impactou mais de 350.000 vidas, mobilizando quase 1000 apoiadores e voluntários para concluir as gravações e avançar nas próximas etapas do filme. A meta é responder à pergunta: – O que faz a vida valer a pena, apesar da dor?

Entrevista com Mario Sérgio Cortella no documentário. Foto Flavio Sampaio

 Entre as 14 personalidades que já deram o seu depoimento estão Monja Coen, o filósofo Mário Sérgio Cortella, o maestro João Carlos Martins a médica Ana Cláudia Quintana Arantes e outros 11 entrevistados, incluindo três renomados professores de Harvard. A proposta é aproximar diferentes perspectivas sobre o cuidado e os vínculos que sustentam a vida, levando ao público reflexões sobre o vazio existencial, a importância da escuta e a possibilidade de reencontrar sentido. 

 Enquanto o documentário ganha forma, ações sociais alcançam uma população de baixa renda através de programas de acolhimento terapêutico com acompanhamento psiquiátrico e nutricional. Uma das frentes de atuação do projeto inclui a Escola de Heróis, que atende crianças em situação de vulnerabilidade na região do Atuba, em Curitiba, onde mantém quatro turmas, com 80 alunos, estendendo de quatro para dez meses o período de aulas. As atividades integram dança, canto, artes marciais e inteligência emocional, com foco no desenvolvimento humano e na convivência. Outra ação, realizada na capital paranaense, ocupou o Calçadão da Rua XV de Novembro, em um flashmob, que reuniu centenas de coralistas para uma apresentação dedicada ao acolhimento de pessoas em sofrimento. Afinal, segundo a mensagem do encontro, “ninguém precisa atravessar os momentos difíceis sozinho.”

MAIS INFORMAÇÕES 

Para apoiar o projeto, basta acessar o site: www.alemdaescuridao.org

Trailer oficial: https://www.youtube.com/watch?v=5hs_jEwKIpA

Fotograma “Queimando Fronteiras”

O documentário independente, “Queimando Fronteiras”, da produtora Abra a Gaveta, realização do Cine Planta, teve lançamento no dia 19 de setembro  em uma sessão especial no Museu da Imagem e do Som do Paraná (MIS-PR). O filme cruza a fronteira do Brasil com a Argentina – o país regulamentou o autocultivo de maconha em 2020 – e percorre 30 mil quilômetros para ouvir ativistas, especialistas e cidadãos envolvidos nesse processo. Nele, são avaliados os impactos da regulamentação e questionados os efeitos da guerra às drogas na América Latina através da ótica da liberdade, encarceramento, saúde pública e direitos humanos. 

Exposição “Desse lado do Muro”

A agenda do lançamento de “Queimando Fronteiras” começou com uma primeira exibição, também no dia 19 de setembro, no antigo Centro de Triagem, que funcionou durante anos como local de custódia temporária e hoje integra o Projeto Cárcere, iniciativa voltada à cultura, memória e direitos humanos. No mesmo espaço, aconteceu a exposição “Desse Lado do Muro”, reunindo fotografias realizadas em 18 presídios de sete países da América Latina. A mostra ocupou celas desativadas e estruturas do prédio. Enquanto o curta-metragem “Uma de Quinze – Maconha na Ditadura”, de Matias Maxx e Daniel Paiva, com 5 minutos e 37 segundos, outro destaques da programação, recupera episódios da repressão à maconha durante a ditadura uruguaia e relaciona esse período à posterior regulamentação da cannabis naquele país.

O Cine Planta, da jardinista e curadora de livros verdes Fernanda Ayres, foi outro lançamento em meio à programação de estreia de “Queimando Fronteiras”. O projeto tem como proposta  aproximar cinema, cultura e natureza por meio da seleção e exibição de filmes relacionados a povos originários e quilombolas, plantas medicinais e religiosas e formas alternativas de cultivo. Na sua raiz está a crise ambiental, que  exige repensar a relação entre seres humanos e natureza. 

MAIS INFORMAÇÕES

“Queimando Fronteiras” está disponível no Youtube.

O documentário tem direção e roteiro de Leonardo Ferron Baggio e produção de Gabriel Protski e Túlio Zucchi. Na edição e animação, Otávio Tersi; direção de arte, Matheus Franceschi; design, Gabriel Protski; ilustração, Thiago Orlando Monteiro; tratamento de áudio e mixagem, Leonardo Gumiero e na tradução e legendas, Juan Martín Suárez.