por Nereide Michel em 25/08/2026
O fervilhante centro de Curitiba – quando nele tudo acontecia -, aos poucos, está voltando a ocupar um lugar de destaque na agenda dos seus cidadãos Afinal, mesmo com a expansão da capital paranaense para bairros, que hoje desfrutam de toda uma estrutura urbana que desobriga os seus moradores a buscar atendimento longe de casa, existe um passado, ainda presente, que convida a passear por ele. Ruas, praças e prédios mantêm vivas as lembranças de várias gerações: contam a história de um povoado que com o passar do tempo se transformou em referência de inovação e tecnologia.

Iniciativas da Prefeitura Municipal e projetos particulares estão contribuindo tanto para resgatar os atrativos de uma Curitiba de outras épocas como lhes dar funcionalidade com o objetivo da população voltar a fazer “uso” deles. O mais recente exemplo dessa proposta envolve um programa que era imbatível pincipalmente nos finais de semana: ir ao cinema. O circuito para assistir ao filme favorito incluía a Rua XV e algumas vias que nasciam em suas proximidades. A Ermelino de Leão, por exemplo, ostentava orgulhosamente em sua fachada a logo Cine Lido, que até se deu ao luxo de ter duas salas de exibição em um mesmo local.

Após décadas de portas fechadas, a casa que já exibiu em suas telas películas oscarizadas e sucessos de bilheteria, volta a receber público. O arquiteto André Henning, que já assinou a revitalização de outro local com muita história na cidade, o Restaurante Stuart, na Praça Osório, foi um dos responsáveis por dar uma nova função ao Cine Lido, sem que este perdesse a sua essência. O compartilhamento do projeto com o arquiteto João Uchôa foi decisivo para que todos os ambientes internos, áreas de convivência, camarins, elementos da fachada e requalificação do acesso principal do antigo cinema, expressassem o diálogo entre memória e inovação.
Como define André Henning, “nossa intenção nunca foi reproduzir o passado, mas reinterpretá-lo. Queríamos que quem conheceu o antigo cinema reconhecesse algumas referências, mas percebesse que está entrando em um espaço preparado para o futuro”. O resultado obtido pela dupla de profissionais surpreende pelas soluções encontradas para integrar dois contrastes: o contemporâneo e o retrô.

O vermelho, por exemplo, presente nas antigas pastilhas que marcavam a arquitetura do edifício, retorna de forma contemporânea no mobiliário e em detalhes dos ambientes. As formas curvas fazem referência ao desenho característico do antigo cinema, enquanto concreto aparente, granitina, aço, iluminação cênica e grandes planos criam uma atmosfera atual, de inspiração brutalista, sem abrir mão do acolhimento. Espelhos, iluminação, formas arredondadas e elementos inspirados na estética das décadas de plateia lotada no Cine Lido, têm presença sutil no projeto, sem cair na nostalgia, segundo descreve André Henning.

Os frequentadores do espaço em 2026 são recepcionados por uma experiência planejada para que, antes do início dos shows, eles “vivam o lugar”. Para alcançar tal objetivo, a arquitetura dedicou atenção especial aos percursos, às áreas de convivência e aos ambientes de permanência. Os seis bares distribuídos pelo empreendimento, os camarins, os espaços de apoio e as áreas comuns foram concebidos para estimular encontros, proporcionar conforto e tornar a circulação mais fluida, acompanhando uma tendência observada nos principais espaços de entretenimento do mundo.
Experiência que ganha uma nova dimensão com a estreia da Frisson Sessions, uma label, lançada pelas produtoras Planeta Brasil e Seven Experience, com residência fixa na sala de espetáculos. Nos dias de suas apresentações, o Cine Lido passa por uma transformação “para que música, iluminação, arquitetura e atmosfera conversem entre si. Cada detalhe foi pensado para que o público viva algo memorável desde o momento em que entra no espaço até o último acorde da noite”, segundo Gian Zanbon, sócio da Seven Experience e do Cine Lido.
EM CARTAZ

Como casa de espetáculos, o Cine Lido abre oficialmente a sua programação na semana de 26 a 29 de agosto, com a apresentação de artistas que são garantia de sucesso de bilheteria. Caetano Veloso (26/08) Marisa Monte (27/08), Sven Väth (28/08) e Fresno, no sábado, dia 29. Outros destaques da MPB brasileira já estão confirmados para este novo palco curitibano: Zé Ramalho (11/09), Tiago Iorc (12/o9), Maiara e Maraísa (23/10), Capital Inicial (30/10), Victor & Leo (01/11), Ana Carolina (06/11), Gilsons (19/11), Os Garotin (28/11).

Daniel Woeller
O DJ alemão Sven Väth, referência mundial do som techno, inaugura na sexta-feira, dia 28, a Frisson Sessions. Lembrando que o nome escolhido para a label faz referência a um fenômeno estudado pela neurociência que descreve os arrepios involuntários provocados por determinadas experiências musicais.
