por Nereide Michel em 27/05/2026
A literatura infantil tem a dupla missão de despertar o desejo pela leitura e, através de suas narrativas, ensinar fatos da realidade. Ela forma futuros leitores e cidadãos conscientes do seu papel na comunidade. Lançamentos no mês de maio atestam a importância dos livros para fisgar o interesse dos pequenos leitores de uma forma lúdica mas nada superficial.
“Fuja Daí, Lili”, de Roseli Bassi, dialoga diretamente com o Maio Laranja, iniciativa que busca conscientizar a sociedade sobre a prevenção da violência contra crianças e adolescentes. É um importante alerta tanto para crianças como para educadores e cuidadores – o objetivo é ajudar o pequeno leitor a identificar situações de risco e agir de forma segura através de uma narrativa leve para tratar de um tema sensível, promovendo assim a conscientização sem recorrer ao medo. O livro apresenta a personagem Lili, uma gatinha que vivencia situações do cotidiano nas quais precisa reconhecer sinais de perigo e tomar decisões quando sua mãe, a gata Elza, não está por perto.
Ao longo da história, compreende-se que nem todo risco é evidente e que a atenção a comportamentos e contextos pode fazer a diferença na prevenção. A linguagem clara e direta facilita a compreensão, enquanto os elementos lúdicos, com ilustrações de Gustavo Braz, tornam a leitura ainda mais envolvente. O livro trabalha orientações como dizer “não”, procurar ajuda de um adulto de confiança e se afastar de contextos desconfortáveis.
Roseli Bassi, fundadora do Instituto História Viva, que atua há 20 anos com o processo de ressignificar emoções através das histórias encantadas, se deparou com a necessidade de abordar esse tipo de temática. “Fuja Daí, Lili” surgiu a partir de um episódio da infância da própria autora, onde ela se viu em uma situação de risco, e isso marcou sua vida profundamente.
LANÇAMENTO: “Fuja Daí, Lili”, Roseli Bassi, 29 de maio, 19h30, Restaurante Quero Quero, Rua Dr. Claudino dos Santos, 90, Largo da Ordem. Com parte da venda do livro no dia doada às organizações sociais.

O escritor e artista plástico Carlos Dala Stella lançou pela Maralto Edições “O anão de asas vermelhas” – em suas páginas, combina imaginação, lirismo e memória ao abordar temas como infância, luto e passagem do tempo. A narrativa acompanha os irmãos Rael e Gala e a prima Lila, que descobrem e capturam uma criatura insólita: um pequeno ser híbrido, semelhante a um humano com asas. A partir desse encontro, o livro mergulha em um universo em que o cotidiano e o fantástico se entrelaçam.
A Santa Felicidade retratada no livro dialoga diretamente com as memórias do autor, que nasceu e cresceu no tradicional bairro de Curitiba. Filho e neto de famílias ligadas à antiga “colônia italiana de Santa Felicidade”, como era chamada pelos moradores, Dala Stella constrói uma narrativa marcada por lembranças da infância, histórias orais e personagens inspirados em moradores reais. Por exemplo, o filósofo” de Santa Felicidade foi inspirado em um menino com quem o autor brincava na infância e que, já adulto, passou a perambular pelo bairro. Outro personagem, Nicola, era um napolitano que percorria as ruas numa motoneta, depois virou guardador de carros, até ser atropelado por um deles e morrer. Mas ele nunca morou numa árvore como o da publicação.
Embora o livro não tenha compromisso histórico com Santa Felicidade, muitos dos espaços descritos correspondem ao bairro real. A igreja, os bosques, a chácara onde o autor vive e até elementos da arquitetura local aparecem recriados na atmosfera onírica da obra. Segundo Dala Stella, a sensação de viver em um mundo insólito o acompanha desde a infância. Influenciado por escritores como Gabriel García Márquez, o escritor afirma que encontrou na atmosfera do bairro da infância o ambiente ideal para tornar verossímil a existência do misterioso ser alado que inspira sua narrativa.
LANÇAMENTO: “O anão de asas vermelhas”, 23 de maio, na Livraria Arte & Letra. Participação especial do ator Luís Melo na leitura de trechos do livro durante o evento.

“O que fazer com a Didoca, a Formiga Cortadeira?”, da escritora paranaense de Campo Mourão Paula Lima, radicada em Berlim, foi um dos destaques da Bett Brasil 2026, um dos mais importantes eventos de educação e tecnologia da América Latina, que aconteceu em maio em São Paulo. A obra, publicada pela Editora Asinha, apresenta numa abordagem lúdica e didática, a história de Flora, uma menina apaixonada por plantas, e sua inusitada convivência com Didoca, uma astuta formiga cortadeira. A narrativa, que mistura suspense e descobertas, é embasada em pesquisa científica, recomendada por uma renomada mirmecóloga da USP, especialista no estudo de formigas, que integra o Museu de Zoologia da universidade. A proposta é despertar nos pequenos leitores a curiosidade sobre a natureza, a biodiversidade e a importância de práticas sustentáveis em um momento em que “o planeta pede ajuda”.
As ilustrações, assinadas por Larissa Morando, dão vida e cor ao universo das personagens, tornando a leitura ainda mais envolvente e acessível para a primeira infância. Segundo lembra a autora, suas primeiras histórias foram inventada para a sua filha, “quando eu não tinha acesso a livros. Depois, vieram as narrativas para ajudá-la a se integrar em uma nova cultura. Hoje, escrevo para meus netos e para todas as crianças, mostrando como a imaginação e a criatividade são ferramentas poderosas de desenvolvimento”.
