por Nereide Michel em 26/05/2026
ALÉM DAS FLORES DE UM JARDIM

“Jardins de Outono”
“A natureza é o ponto de partida do meu trabalho, mas nunca como representação direta. São imagens que se constroem a partir de memória, observação e da própria matéria, e que vão se transformando ao longo do processo”, define Juliane Fuganti.
Entrar no universo artístico de Juliane Fuganti é aceitar o convite para descobertas que vão além das imagens ofertadas ao vivo e a cores pela Natureza. É uma viagem que apenas a imaginação de quem se deixa seduzir pela criatividade empreende – e com ganhos que vão das surpresas básicas ao impacto do desconhecido. Paisagens de manguezais, por exemplo, “são lidas como mundos de luz que emergem a partir da observação e camadas de tempo.” Mas há muito mais para se vivenciar em uma ampla e diversificada trajetória marcada por várias formas de expressão: além das pinturas, caixinhas, pedras flutuantes e cubos com cerâmicas, organizados de forma a construir uma narrativa visual que percorre diferentes escalas e suportes. A artista articula pintura, gravura, fotografia e cerâmica em uma produção que investiga permanência e transformação. As obras, embora possam sugerir delicadeza, são estruturadas por incisões, cortes e marcações precisas, resultando em superfícies que evidenciam sobreposições e permanências.
Na busca por saciedade, a curiosidade, compelida pelo desejo de um encontro imediato com este mundo de múltiplas e concretizadas inspirações, empurra a porta de uma peculiar galeria. Ela tem em um novo empreendimento imobiliário da Vincere Incorporadora o espaço ideal para a exposição “Entre Jardins e Memórias”, de Juliane Fuganti. Temática constantemente trabalhada por ela como atestam as séries “Jardins”(2023), “Jardins Imprevisíveis” (2024) e “Jardins Imaginários” (2025). Ou guardada na intimidade do álbum de suas lembranças para uma posterior intervenção.
Sempre tem um jardim na trajetória de Juliane… Até na relação com o lugar onde a mostra está instalada, no endereço do futuro Arte Batel, na rua Carmelo Rangel, um edifício definido pela construtora como “arte habitável.” Moradora da região há cerca de 30 anos, a artista plástica mantém uma conexão afetiva com a rua e tem lembrança da casa que ocupava o terreno da obra. “Aqui não tinha jardim”, relembra a artista.
A observação ganha outra dimensão diante dos projetos – o arquitetônico, assinado pela Baggio Schiavon, e o paisagístico de Luiz Carlos Orsini – , que colocam o verde no centro da experiência e redefinem a nova forma de ocupação do terreno. A curadoria de “Entre Jardins e Memórias”, da Galeria Zilda Fraletti, selecionou então as obras a partir da afinidade com o conceito do empreendimento. Na avaliação de Carlos Cavet, sócio da galeria, a paleta do espaço expositivo combina tons neutros com variações de verde que se conectam diretamente com a proposta da mostra. Segundo Zilda Fraletti, “essa parceria também possibilita ampliar a visibilidade do trabalho da Juliane e apresentar sua obra a novos públicos”.
ONDE ESTÁ
“ENTRE JARDINS E MEMÓRIAS”
Juliane Fuganti
Stand Arte Batel
Rua Carmelo Rangel, 635
Visitação até 20 de junho.
