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por Nereide Michel em 01/07/2026

Estaria nas linhas da mão, riscadas pelo destino, a trajetória que Luciá Consalter seguiria? Afinal, a quiromancia é uma milenar arte divinatória que, segundo seus estudiosos, diz muito do que somos, como somos e até revelam talentos ocultos. Uma indicação, quem sabe, da linha a percorrer quando o desejo é desvendar os diálogos entre a artista e a sua obra. Deixar-se envolver na teia tecida pela diversidade de expressões que a autora optou para deixar fluir a sua criatividade. Um emaranhado de linhas, desta vez, de fios, que ela resgata do seu ponto inicial e vai lhes dando formas, tonalidades e utilidades.

Linhas e cores estão mescladas – e prontas para serem observadas, interpretadas e reconhecidas – na exposição individual de Luciá Consalter, aberta até 11 de julho – no Museu Guido Viaro. Na mostra, pinturas de várias fases. As mais recentes tiveram origem em uma linha imaginária, segundo revela a artista, que ela percorreu pelas ruas curitibanas numa caminhada noturna. O que lhe chamou a atenção? As janelas alinhadas, expondo os pontos cromáticos do interior dos apartamentos

A curadoria de Lavalle da exposição “Linha da Cor” percorre uma linha do tempo – impossível não repetir a palavra linha no texto – da obra de Luciá Consalter comprovando que ela tomou em suas mãos o seu destino – a arte tecida com muitos fios. Primeiro, ela encontrou-se com os fios brutos do tear e lhes deu modelagem de roupas. Uma experiência que se mostrou essencial para a descoberta de outras linguagens, como o desenho e a pintura. Nas palavras de Lavalle, “no desenho, permanece algo estrutural da costura, o uso da linha como elemento que organiza e reúne partes. A linha que atravessa as formas no desenho, são como as linhas que perfuram o tecido como a agulha na costura”.

Como analisa Lavalle, ” mesmo quando a pintura se afirma como linguagem predominante, a linha insiste como operação. Ela sustenta a coerência entre costura, desenho e pintura, e revela que não se trata de uma passagem de uma técnica a outra, mas de uma lógica construtiva”. 

No desenho de Luciá, uma linha interrompida não perde a continuidade ao aproximar para um encontro dois seres vivos.

Nos trabalhos ligados à fase têxtil – roupas e instalações -, nos desenhos e pinturas, nos anéis e brincos estruturados com fios de cobre – Luciá Consalter também é designer de joias – e até nos cortes de cabelo – ela se dedicou profissionalmente por algum tempo a deixar os fios alinhados, com suas tesouradas habilmente distribuídas – , os fios são presenças tênues mas marcantes na sua trajetória. Eles revelam que as linhas têm mais a expressar do que simplesmente determinar um caminho a ser seguido.

 

ONDE ESTÁ

 “LINHA DA COR”

EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL

LUCIÁ CONSALTER

Museu Guido Viaro

Rua XV de Novembro, 1348

de terça a sábado, das 14 às 18 horas

Até 11 de julho