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por Nereide Michel em 03/06/2026

Qual é o caminho traçado pelo bicho-da seda para produzir o casulo, origem de um fio valorizado antes de tudo pela beleza que dele resulta? É um processo demorado – e, portanto, exige paciência – que passa pela alimentação da larva com apetitosas folhas de amoreira até chegar o momento da construção do casulo. Uma estrutura protetora de seda bruta que, na verdade, é um fio contínuo e extremamente fino, secretado pelas glândulas sericígenas do inseto. A quantidade de seda produzida em cada casulo varia em torno de 600 a 1200 metros. Daí entra a parceria humana que assume a tarefa de desenrolar e fiar os fios de seda.

“Bicho Metamórfico”, Valdir Francisco

Qual é o caminho traçado por um artista para transformar a matéria-prima da seda em criações que surpreendem tanto pela delicadeza como pelo impacto?

Valdir Francisco, paranaense, e, portanto, filho das terras onde nascem amoreiras e bichos-da-seda, tem na sua arte, caprichosamente tecida, a resposta. Questão desvendada em suas várias exposições, que tiveram nos casulos a sua origem. A mais recente delas, que aconteceu de 16 de abril a 3 de junho de 2026, teve como cenário o Espaço Cultural Solar da Glória e contou com o apoio da Fundação Cultural de Curitiba / Prefeitura Municipal. O título da mostra não poderia ser mais apropriado: “Casulos Poéticos”. As rimas estão presentes em cada uma das obras, em cada intervenção do seu autor, que trabalhou cada inspiração buscando lhe dar formas plenas de conteúdo. Tal como um poema estruturado com precisão milimétrica, mas que abarca emoções e vivências no enredo dos seus versos.

Os casulos de Valdir Francisco concretizam a permanência de uma obra da natureza transformada, com sensibilidade, em obra do artista. Uma obra coletiva da qual participam construtores (de casulos) e criadores, especializados em explorar sensorialmente uma delicada matéria-prima.

Nereide Michel

Eis que um “convidado especial” resolveu apreciar bem de pertinho os “Casulos Rendados”, do Valdir Francisco, no dia da abertura da exposição. Obra na qual o artista utilizou “massa de seda”, uma experimentação sua.

TRAMAS DA INSPIRAÇÃO

Obras expostas na mostra “Casulos Poéticos” convidam a interpretar intenções nelas embutidas. Valdir Francisco desenrola o fio original segundo sua imaginação e ela não nos deixa com os pés plantados no chão. 

Nereide Michel

“Mosaicos em Branco”. Materiais utilizados: bosque de bicho-da-seda (madeira e papelão), casulos, fios e tecidos de seda.

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“Casulos Desconstruídos”. Materiais utilizados: arames, fios de seda, casulos de seda e casulos desconstruídos.

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“Desconstrução”. Materiais utilizados: arame, fios de seda, casulos de bicho-da-seda e casulos desconstruídos.

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“Tapeçaria”. Materiais utilizados: arame, fios de seda, fios de burel, casulos e fitinhas.

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“Nave” . Materiais utilizados: luminária de papel, casulos, arame, fios e tecidos de seda.

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“Fragmentos”.  15 peças. Materiais utilizados: arame, casulos. fios e tecidos de seda.

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“Tramas Paramétricas”. Materiais utilizados: retalho de cortina, divisória paramétrica, arame, casulos e tecido de seda.