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por Nereide Michel em 30/08/2018

E ela não quer ser apenas para vestir!

Os meses de julho e agosto de 2018 foram escolhidos  para uma nova temporada de experiências multissensoriais por Alexandre Linhares e Thifany F. – como eles se definem ou são definidos? Estilistas, ou artistas? A pergunta ou a resposta a ela faz parte do caminho por eles escolhido: o do questionamento.  “Despida de Palavras”, ao contrário do que intui o título de uma tripla ação projetada pela dupla, dá/deu o que falar.

O primeiro ato do “Despida de Palavras” aconteceu em 13 de julho, no festival de criatividade urbana Subtropikal, quando foram mostradas peças de arte vestíveis. Nas palavras de Alexandre Linhares com a proposta de mostrar “a roupa como suporte para expressão, a roupa estandarte – a continuidade entre roupa e bandeira – e mais uma vez a palavra escrita insere-se na nossa intervenção.” Um banner de tecido com imagens de vestidos e mais vestidos queimados fizaram parte desta performance.

Um ato de vida mais longa caracteriza a segunda ação do Despida de Palavras quando esta ocupa as paredes da Galeria Teix no período de 19 de julho a 31 de agosto. Nelas, o que se vê é o que se lê e o que não se lê se sente, se pressente.

 O A-B-C da mostra aconteceu em uma residência que Alexandre e Thifany participaram em 2016 na galeria Teix. Dela resultou uma foto da bucólica colônia Witmarsum, que fica no município de Palmeira/PR, e surgiu a ideia de reproduzi-la em tecido o que gerou todo um envolvimento com pequenos pedaços de pano – retalhos preciosos – bordados com palavras (muitas delas contribuições de adeptos da proposta da dupla), desenhos e mantras budistas. Cada um deles pode compor uma roupa ou se transformar em um quadro assinalando a similitude entre conceitos – próprios e manifestados pela peça -  de quem vai usar a veste ou deixá-la aparente na parede de sua casa.

Como Alexandre Linhares e Thifany T. esclarecem, sem limitar substantivos e verbos, a mostra tem como “suporte o pano, a obra em tecido, o tecido em si como objeto de arte e mais uma vez a palavra escrita.”  Aliás, a exposição não é um começo e um fim em si mas um passo a mais em um percurso que inclui outros desempenhos/coleções da dupla desde “o rei está  nu”, de 2016, a verve urbana, a alma da metrópole, que em “terceira pele” foi para o terreno, a planta baixa, a construção e carregou no trabalho seguinte, “pequenas poesias cotidianas”, nas poesias de placas e anúncios, frases decalcadas nos muros, poesias cotidianas. Tudo se encaminhou para o POP”, segundo pontuam os estilistas/artistas.

Um  outdoor  de tecido, peças que se encaixam e se dividem, painéis que compõem uma figura maior, partindo de uma fotografia não impressa, mas costurada. E que provoca comentários – ditos em voz alta ou pensados sem platéia. Referência forte e sentimental encontrar neste tradicional meio de comunicação da moda uma forma de expressar o conceito da exposição. Quem não se lembra de outdoors anunciando pela cidade lançamentos de marcas, eventos de apresentação de coleções, liquidações? 

No terceiro ato, o Despida de Palavras subiu festivamente ao palco do SESC da Esquina para harmonizar com as palavras rimadas e cantadas do Grupo Fato no lançamento do seu DVD “ +próximo”. O figurino dos artistas teve a etiqueta carimbada com a palavra H-AL, marca de Linhares, uma parceria que se renova desde 2012. Para registro: esta apresentação aconteceu no dia 26 de julho. A performance “Figurino ao Vivo” complementou a ação dando voz novamente à obra têxtil de Alexandre e Thifany.

MAIS TEMPO PARA VER

Despida de Palavra por Alexandre Linhares e Thifany F. teve o seu período de exposição prorrogado até final de setembro. Na Galeria Teix, Alameda Augusto Stelfeld, 1581, Batel, Curitiba.

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