por Nereide Michel em 14/10/2026
Quando o imediatismo da comunicação globalizada parece assumir o lugar do folhear, sem pressa, as páginas de um livro, editoras reagem com o lançamento de novas obras. A maioria conquista o status de best-seller comprovando que a vida real – longe das telinhas – continua a cultivar hábitos saudáveis que evitam que ela ultrapasse o limite entre “o ser e o não ser”. Autores paranaenses contribuem, com as suas histórias, vivências e pesquisas, para que realidade e imaginação continuem a serviço de mentes dispostas a absorver conteúdo e informação, que vão alicerçar, por exemplo, suas tomadas de decisão.

Patricia Yamasaki nasceu em São Paulo mas vive em Curitiba desde a infância. Filha de pai descendente de imigrantes japoneses e mãe brasileira. É advogada e doutoranda em Direito Constitucional. Um reencontro com as suas origens aflorou o seu lado escritora. Alice Ruiz, Matilde Campilho, Ana Martins Marques, Wisława Szymborska e Cristina Peri Rossi, ela cita como referências. Na boa companhia de suas inspiradoras, ela lançou em agosto o livro “Cardiograma de Gente Viva”, editado pela Arte & Letra, selo Esc. Escola de Escrita. Nas suas páginas, 70 poemas ilustrados por Adriana Komura, responsável também pela arte gráfica da autobiografia “Abandonar um Gato”, de Haruki Murakami – o que chamou a atenção da autora para convidá-la a se integrar à produção literária. Tendo os altos e baixos das batidas do coração como fio condutor, a obra percorre temas como identidade, ancestralidade, cotidiano, entre outros. Nada mais emotivo e palpitante. A obra foi gestada em dois anos durante oficinas na Escola de Escrita, sob orientação de sua fundadora, Julie Fank, que é também escritora, artista visual, doutora em Escrita Criativa pela PUC-RS.
Descrito como uma “palavra-travessia”, “Cardiograma de Gente Viva” foi organizado em seis partes – átrio, kokoro, sincronia cardíaca, miocárdio, pulso e sístole e diástole – que acompanham os movimentos da vida por meio da metáfora do cardiograma. Um conceito, onipresente na obra, a autora (re)encontrou na cultura nipônica quando de suas viagens ao Japão: “ma”, o espaço entre as coisas, o intervalo, a pausa. “Nas poesias, eu entendo que o livro tem esse espaço do vazio e é sobre o que eu não digo também”, define Patrícia.
“Cardiograma de Gente Viva” foi lançado em 22 de agosto em Curitiba, na Esc. Escola de Escrita, que fica na Praça Osório.

Kéfera Buchmann é curitibana mas pelas artes encantadoras da comunicação globalizada se tornou celebridade na internet, no cinema, na televisão e no mercado editorial – com milhões de seguidores nas redes sociais e reconhecimento como uma das pioneiras da produção de conteúdo digital no Brasil. Seus livros anteriores alcançaram altos postos em listas dos mais vendidos, enquanto a atuação em filmes, novelas e streaming ampliaram sua presença no cenário cultural brasileiro. A autora agora expande o seu universo criativo com uma incursão pela fantasia sombria, presente no seu recente lançamento literário, “Vestida de Medo”, publicação da Galera Record. O livro combina suspense, romance, magia e conflitos morais em uma história protagonizada por duas mulheres que desafiam tradições, preconceitos e o próprio destino.
Ambientado no reino fictício de Eldoria, a obra acompanha Seraphine Wanderville, uma caçadora de bruxas criada para alimentar uma antiga guerra contra as criaturas da floresta de Dorreth. Movida pelo desejo de vingança após perder parte da família, ela dedica a vida à missão de exterminar suas inimigas. Tudo muda quando encontra Elyra, a centésima mulher que deveria matar. Em vez de cumprir sua missão, Seraphine passa a questionar as verdades que moldaram sua existência e se vê diante de um sentimento capaz de colocar em risco tudo aquilo em que sempre acreditou. Temas como pertencimento, intolerância, identidade e coragem são trazidos à tona por meio de um romance sáfico inserido em um universo de folclore original e criaturas fantásticas. Ilustrações de Luiza Pape e capa assinada por Renata Vidal reforçam a proposta estética da obra e sua conexão com o público fã de fantasia contemporânea.

A dramaturgia de “Cão Vadio”, mais uma das bem sucedidas montagens da curitibana Trupe Ave Lola, ganha registro nas páginas de um livro. Lançado, com distribuição gratuita, em setembro, no Teatro José Maria Santos, tem a assinatura de Ana Rosa Genari Tezza, dramaturga e diretora do espetáculo. Mais do que registrar o texto levado ao palco, “Cão Vadio: dramaturgia e memórias do processo de montagem” preserva parte do percurso de construção da obra e oferece uma nova forma de contato do público com o universo da peça. O conteúdo também chega ao leitor através do áudiobook com a leitura dramática do enredo acessível por meio de um QR Code disponível na publicação. O recurso permite assim vivenciar a dramaturgia pela escuta, com as vozes, músicas, sonoridades e os ritmos próprios do texto teatral. O livro tem prefácio de André Marcondes; ilustrações por Gabriel Rischbieter e fotografias de Maringas Maciel e Scre.
“Cão Vadio” é a quarta dramaturgia de Ana Rosa Genari Tezza a ser publicada, somando-se a “Tchekhov”, “Nuon” e “Manaós – Uma Saga de Luz e Sombra” . É autora também de dois livros infantis e duas publicações fotográficas – “Amazônia Andes”: da foz à nascente, do Atlântico ao Pacífico” foi finalista do Prêmio Jabuti em 2014.
O projeto é uma realização da Entre Mundos, com patrocínio de Ferragens Negrão Comercial Ltda. ,Worker, Paranagran Indústria e Comércio de Fertilizantes Ltda. , Terra Rica- Indústria e Comércio de Calcários e Fertilizantes do Solo Ltda. e Demobile – Indústria de Móveis Ltda.

Aos oito anos, Bruno J. Pereira já sabia que trabalho não era apenas uma palavra de adulto. Em uma feira livre, empurrava um pesado carrinho de mão carregando as compras dos fregueses em troca de pequenas moedas. O dinheiro não era para brinquedos ou doces, ajudava a colocar comida dentro de casa. Décadas depois, após atravessar pobreza, mudanças, perdas, experiências profissionais no Brasil e nos Estados Unidos e chegar ao empreendedorismo, ele transforma sua trajetória de vida no livro “Suor Sem Ego”. Como ele faz questão de destacar é a história de um homem que não aprendeu a desistir. Segundo afirma, “não escrevi este livro para mostrar onde cheguei ou o que conquistei. Escrevi porque, olhando para trás, percebi quantas vezes foi necessário começar novamente”. Uma reflexão que sintetiza uma das ideias centrais da obra, que questiona a associação automática entre sucesso, dinheiro e status.
A autobiografia percorre uma vida marcada por contrastes. Bruno relata a pobreza na infância, as constantes mudanças da família, períodos vividos em cortiços e periferias, a passagem por Cotia, em São Paulo, a mudança para o Paraná, a entrada no mercado de trabalho e o aprendizado no setor de comunicação visual. O autor viveu nos Estados Unidos e passou por Manhattan, onde novamente precisou lidar com trabalho, adaptação e sobrevivência. De volta ao Brasil, enfrentou outro período de incerteza que atingiu milhões de brasileiros, a pandemia. Foi nesse cenário que apresentou ao mercado a KLW Brasil, empresa que cresceu e passou a contar também com a participação dos filhos, levando o escritor a uma realidade financeira muito diferente daquela vivida pelo menino que trabalhava por moedas na feira.

Do papel ao digital, da Gibiteca à editora.”Quadrinhópole”, uma das iniciativas independentes mais longevas e influentes dos quadrinhos curitibanos, completa 20 anos de história com uma coletânea especial que revisita duas décadas de produção autoral e resistência. Para viabilizar a edição comemorativa, o projeto se apoiou no Catarse, plataforma online de financiamento colaborativo na qual os leitores que o apoiaram vão receber com exclusividade a publicação.
Idealizada por artistas frequentadores da Gibiteca de Curitiba, a Quadrinhópole começou como uma revista impressa, com nove números editados, migrou para o formato digital e evoluiu para editora, acumulando dezenas de títulos lançados de forma independente. A publicação também esteve entre as iniciativas que ajudaram a fundar o coletivo Quarto Mundo, que fez história no mercado nacional de quadrinhos entre 2007 e 2012.
Para marcar a trajetória, o editor e roteirista Leonardo Melo organizou uma coletânea que reúne 18 histórias publicadas ao longo das diferentes fases da revista, além de duas inéditas. Uma delas, “Diário de um Terraplanista”, com roteiro de Leonardo Melo e arte de Gabriel Baltazar, imagina o dia a dia de um conspiracionista. A segunda, “Retorno a Slumberland”, também tem Melo como roterista, e arte de Alberto Pessoa, uma releitura contemporânea de “Little Nemo”, clássico de Winsor McCay.
Além das histórias em quadrinhos, a edição especial traz um dossiê sobre a trajetória da “Quadrinhópole”, reunindo depoimentos e curiosidades sobre as diferentes fases do selo. A publicação também registra os 110 quadrinistas que ajudaram a construir essa história e apresenta um panorama dos quadrinhos curitibanos, contextualizando a importância da iniciativa para a cena local. Trata-se, portanto, de um material histórico reunido em uma edição de tiragem limitada.
O lançamento no dia 16 de outubro faz parte das comemorações do aniversário de 44 anos da Gibiteca, espaço diretamente ligado à origem da Quadrinhópole.

O livro infantil “O menino do Planeta Fair Play” marca um momento importante do Instituto Futebol de Rua – os seus 20 anos de atividades, comemorados em 2026. O lançamento, publicado pela Editora Inverso, tem a dupla autoria de Alceu de Campos Natal Neto, advogado, professor e fundador do Instituto; e Diana Monteiro Sitonio, diretora teatral, dramaturga e coordenadora de um dos projetos do FdR, o Cultura em Campo.
Com ilustrações de Nickoly Rabelo, a obra conta a história de um menino cheio de medos e tristezas que, após uma partida de futebol terminar em briga, volta para casa e durante o sono viaja para o “planeta fair play”, onde tudo é possível e todos respeitam o jogo limpo. O objetivo é destacar nas crianças e adolescentes a importância dos sonhos, da educação e do esporte na construção de um mundo melhor.
Com sedes em Curitiba e João Pessoa, na Paraíba, o Instituto Futebol de Rua, fundado por Alceu de Campos Natal Neto em 2006, é uma organização sem fins lucrativos que promove a inclusão social por meio do esporte educacional, da cultura e da tecnologia. Já atendeu mais de 86 mil crianças e adolescentes em condições de vulnerabilidade que encontraram no esporte, na cultura, na educação e na tecnologia um meio para driblar as desigualdades. Atualmente a organização está presente em todos os estados do Brasil e no Distrito Federal, com núcleos distribuídos por todo o país e projetos que focam no desenvolvimento humano através de diferentes abordagens. Segundo o seu idealizador, “no FdR, por meio de desafios, vitórias e derrotas, os participantes aprendem a lidar com suas próprias emoções, já que a prática esportiva é uma ferramenta que fortalece a autoestima e a resiliência. Com o trabalho em equipe, respeito às regras e aos colegas, o Fair Play e a comunicação não-violenta, o FdR promove um ambiente para a aprendizagem das habilidades interpessoais, como a empatia, o protagonismo, a liderança e a capacidade de resolver conflitos”.
“O Menino do Planeta Fair Play” está no catálogo da Amazon. Amazon.com.br eBooks Kindle: O menino do Planeta Fair Play, Monteiro Sitonio, Diana , de Campos Natal Neto, Alceu
