por Nereide Michel em 15/05/2026
DIÁLOGOS DA ARTE

“Porcelâ.”, obra de Flavia Itiberê
Três universos, uma única exposição. Com curadoria de Baixo Ribeiro a exposição “Triverso”, em cartaz na Artestil Galeria de Arte, é o apropriado título para uma mostra que traz trabalhos de Flávia Itiberê e Rafael Silveira em diálogo com a produção do mestre Juarez Machado. Não se trata de uma simples reunião de artistas, mas um campo expandido em que poéticas distintas coexistem, se atravessam e afinidades e diferenças se iluminam mutuamente e onde o visual se sobrepõe à hierarquia. As obras não se somam: ressoam.

“Ampulheta, Rafael Silveira
Juarez Machado construiu ao longo de mais de sete décadas uma obra que atravessou linguagens como a comunicação, pintura, escultura, cenografia, ilustração, humor gráfico, mímica, entre outros. Radicado em Montmartre, Paris, desde o início dos anos 1980, sua arte de traços únicos e cores inconfundíveis já inspirou produções cinematográficas, como o aclamado ” O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, do diretor Jean-Pierre Jeunet. Rafael Silveira é artista visual paranaense com trajetória que começou nos anos 1990 na arte gráfica e se consolidou na pintura a óleo a partir de 2007. O seu trabalho já estampou a capa do The New York Times e foi destaque em publicações como Juxtapoz, Hi-Fructose e COLOSSAL.

“La Dolce Vita” , Flábia Itiberê
Flávia Itiberê é artista têxtil nascida em Curitiba onde vive e trabalha. Sua prática nasce de uma infância dividida entre Curitiba e La Plata, marcada pelo fazer manual, pelo convívio com a avó e pela intimidade precoce com linhas, tecidos e bordados. Em sua obra, o tempo lento do bordado é linguagem e postura: uma forma de construir presença em um mundo de urgências. A figura feminina é o eixo narrativo que transita entre sonho e introspecção.
ONDE ESTÁ
“TRIVERSO”
Flávia Itiberê e Rafael Silveira em diálogo com a obra de Juarez Machado
Artestil Galeria de Arte
Alameda Carlos de Carvalho, 1663 Batel, Curitiba
De segunda a sexta, das 9h30 às 18h30 e aos sábados das 9h30 às 13h30
Até 27 de junho
MEMÓRIAS VIVAS DO COTIDIANO

Divulgação
À esquerda, recorte da obra “Hun Hunahpu, Tata Pedro, Maiz y el canto del Hallo Negro”, de Diego de Lara. À direita, recorte da obra “Tati a Tarde”, de Idris Galvão.
“Memorável Suspensão: Idris Galvão e Diego de Lara”, que reúne obras construídas a partir de materiais do cotidiano, está aberta ao público na CAIXA Cultural Curitiba. Com curadoria de Arthur L. do Carmo, a mostra propõe reflexões sobre memória, afeto e experiência, ampliando as possibilidades de leitura sobre aquilo que nos cerca. Tecidos, embalagens, compensados, sementes e elementos descartados são incorporados às obras como matéria poética e simbólica. Ao deslocar esses materiais para o espaço expositivo, os artistas propõem uma reconfiguração do olhar sobre o que nos cerca, tratando a memória não como registro fixo, mas como prática viva, inscrita nas coisas e nos gestos do cotidiano.
A exposição apresenta pinturas, colagens, objetos, estandartes e patuás construídos a partir de “suportes em estado de mundo”, como define o curador. Os trabalhos articulam dimensões sociais, culturais e subjetivas, criando relações entre experiência pessoal, território e imaginário coletivo.
Idris Galvão desenvolve sua pesquisa artística a partir de referências do litoral sul da Bahia, articuladas à sua vivência em Curitiba. Suas obras abordam cenas de convivência, lazer e afeto, explorando a memória como elemento constitutivo das relações cotidianas. Diego de Lara investiga imagens que circulam no cotidiano contemporâneo, como memes e signos visuais amplamente disseminados. A partir dessas referências, o artista cria objetos e composições que tensionam os limites entre imagem, materialidade e cultura visual.
ONDE ESTÁ
“MEMORÁVEL SUSPENSÃO”
Idris Galvão e Diego de Lara
Galeria Mezanino da CAIXA Cultural Curitiba
Rua Conselheiro Laurindo, 280, Centro
Até 28 de junho
De terça-feira a sábado, das 10h às 20h, domingos e feriados, das 10h às 19h
Acessibilidade: placas em braile
QUATRO SENTIMENTOS COMPARTILHADOS

Obra de Lizete Zem
A exposição coletiva “Caminhos do Sentir”, em cartaz no Espaço Cultural INC, no Pátio Batel, até 31 de maio, reúne obras dos artistas Ercy Árias Zendim, Lizete Zem, Renato Sniecioski e Waltraud Sekula. As telas convidam o visitante a deixar de ser apenas espectador para assumir o papel de protagonista na construção de sentidos a partir das pinceladas. Como esclarece a curadora Meg Gerhardt, “pedimos que, ao sair, o público não saiba apenas explicar o que viu, mas relatar como se sentiu. Que saia daqui com a sensibilidade renovada. Afinal, os caminhos do sentir são infinitos e a obra só se completa quando encontra o olhar das pessoas”.
A mostra inicia-se pelo limiar do visível, onde portões e caminhos floridos evocam memória e nostalgia. Nas telas geométricas, o caos organiza-se em cores e formas que representam as cidades e as relações construídas – um labirinto de encontros onde cada quadrado simboliza um dia, um afeto ou uma escolha em movimento. A jornada atinge sua profundidade máxima ao confrontar a essência do invisível.
OS ARTISTAS

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Ercy Árias Zendim. Sua produção utiliza técnica mista em suportes como tela, combinando tinta acrílica, oil ball, tecidos, papéis, guardanapos e pastel oleoso. Com linguagem moderna, que transita do figurativo ao abstrato, suas obras são vibrantes, expressivas e lúdicas, marcadas por cores fortes e alegres.

Lizete Zem
Lizete Zem. Seu trabalho é atravessado pela paixão pela cor e pela força viva da terra, resultando em exposições nas quais pinturas, objetos em argila e terras dialogam entre si. A matéria telúrica é o elemento central de sua pesquisa: a artista coleta e trata pigmentos de terras naturais que se transformam em poemas visuais sobre tempo, permanência e dualidade simbólica.

Alexandre Sekula
Waltraud Sekula. Artista plástica aquarelista, dedica-se desde a infância ao desenho, à aquarela, ao bico de pena e à pintura acrílica. Desde 1977, expõe em galerias de arte, com obras em 24 países. Soma 23 exposições individuais, participação em 12 salões de arte com várias premiações e dezenas de exposições coletivas. Atuou também como presidente da Associação Profissional dos Artistas Plásticos do Paraná (APAP-PR) por três gestões.

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Renato Sniecioski. Sua obra investiga as camadas da natureza humana, utilizando o Surrealismo e o Simbolismo para explorar psicologia da comunicação, a percepção e o comportamento de grupos sociais. Especialista em pintura a óleo em camadas, emprega técnicas como velatura, glazing e scumbling para criar atmosferas metafísicas e profundidade tátil em narrativas visuais que conectam passado histórico e presente contemporâneo.
ONDE ESTÁ
EXPOSIÇÃO COLETIVA CAMINHOS DO SENTIR
Espaço Cultural INC – Hospital INC Filial Pátio Batel. Piso S1
Até 31 de maio
Visitação: segunda a sexta das 11h às 20h; sábados das 10h às 12h
