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por Nereide Michel em 28/12/2017

Autoral ou básica. Inspiração no luxo ou no jeito de ser de cada um. A moda nascida em Curitiba enquadra-se em várias formas de desenvolver uma coleção. Estilistas e designers, contudo, compartilham o objetivo inicial de atrair o consumidor que valoriza roupas e acessórios produzidos pelos ateliers e confecções da cidade. Com a certeza de que esta receptividade primeira lhes servirá de cartão de apresentação para conquistar vitrines espalhadas pelo restante do país.

Balanço positivo marcou 2017 para a moda curitibana – o que faz prever que ela ganhará ainda mais adeptos e projeção no decorrer de 2018. Uma avaliação sedimentada em algumas palavras-chaves que definiram o trabalho dos protagonistas do setor: criatividade, ousadia, persistência, fidelidade e coerência de proposta.

Múltipla no estilo, na inspiração e no público-alvo, a moda curitibana mostra a sua versatilidade e diversidade nas coleções lançadas para o Verão 2018.

H-AL 

Alexandre Linhares, o nome que alinhava o H-AL nas peças, comemora 10 anos de trabalho na moda curitibana. Sempre na companhia de Thifany Faria. Uma dupla com rima perfeita e que já assinou coleções impactantes, teatrais, dramáticas, instigantes. Por isso, nada mais natural que uma década de atividades interruptas merecesse celebração em forma de poema. Poesia Desilusória nomeou a coleção comemorativa. “Emoções viscerais costuradas junto com cada letra costurada de uma primeira ideia/insight, de vestidos livros, bem limpos, preto no branco, a palavra escrita sobre o papel. Palavras que tentam relembrar uma década em que os ares não têm a mesma intensidade de antes.” Palavras de Thifany arrematadas por Alexandre Linhares.

O desfile comemorativo dos 10 anos do estilista Alexandre Linhares aconteceu no ID Fashion realizado em setembro/17.

REPTÍLIA

Milan Kundera e sua obra mais conhecida “A Insustentável Leveza do Ser” estão na origem do Verão 2018 da Reptília, de Heloisa Strobel. Inspiração que a estilista transferiu para shapes retos, plissados, texturas foscas, experimentações com tinta serigráfica e construções dupla-face. Além, é claro, para detalhes que identificam a marca como barras em seda desfiada fio a fio, ourelas aparentes como acabamento e franjas tingidas em degradê. Paleta de cores puramente candy – a leveza – com pontos de vermelho sangue – a natureza humana- e o neon. Como define Heloísa Strobel, “o desejo do constante ir, que move e flui a criatividade em torno da beleza atual, sofisticada e prática, resultou em peças para o viver moderno.”

O Verão 2018 da Reptília foi apresentado na passarela do ID Fashion em setembro/17

 

FRAMED

Conhecido como um dos pioneiros da arte cinética e da op art, Julio Le Parc inspirou a mais recente coleção da Framed, marca das irmãs Amanda, Mariana e Fernanda Cassou. As obras do artista plástico argentino foram traduzidas em prints de poás destinados a estampar peças leves. As irmãs Cassou já conquistaram um importante nicho de mercado através do e-commerce Gallerist e agora investem em uma label autoral que tem nas artes plásticas uma das referências ao desenvolvimento de roupas e acessórios. 

Uma das novidades da Framed para o verão 2018 é uma série de mini bolsas, produzida em parceria com a artesanal marca paulista Sneak Peek. São três modelos em palha e couro ou palha e resina, em formatos diferenciados.

NOSSA ROUPA QUE CONTA HISTÓRIA

A preocupação com o meio ambiente pauta o trabalho do designer Luan Valloto, que lançou a marca “Nossa Roupa que Conta História” justamente para concretizar os objetivos que movem o seu trabalho. Ele conta com uma equipe de artesãs que garante o processo de produção manual das peças – focadas sempre na preservação da natureza – com destaque para o crochê, o tricô e o bordado. O resultado deste “conjunto de mãos” é exemplificado na coleção Iluminar, apresentada em novembro.

Segundo Luan Valloto, “ a coleção   traz como conceito a iluminação, os muitos despertares de uma vida. As lanternas que se acendem dentro de nós a cada nova descoberta de uma ética profunda.” Uma obra coletiva que une as artesãs  Carla Tonin, Camila Alves, Denise Erthal, Marilza Stamm, Suely Piccione, Themis Busse e Vavá Diehl. As peças aportam pontos de bordado, esmirna, crochê, tricô e costura fios e tecidos de seda, linho e algodão.

SANDRA KANAYAMA

Simplicidade e elegância. Unindo estes dois ingredientes Sandra Kanayama encontrou a receita para a coleção Identidade Bottega. No foco está a mulher ativa, urbana e prática. Conhecida pelo rigor do seu corte e pela perfeição no acabamento das peças, a estilista continua fiel a estes princípios mesmo buscando um novo momento para a sua marca. Os tecidos escolhidos, organza de seda, crepe de chine de seda, linho,  jacquard, algodão e mikado, confirmam a sua preocupação com o alto padrão da matéria-prima que entra na confecção dos modelos.

Para privilegiar uma elegância sem afetações, Sandra Kanyama apostou em peças-coringa como a pantalona em linho que usada com camiseta – uma novidade na coleção – dá um toque casual ao que se veste. Mesmo minimalista, ela pesquisa novas modelagens, volumes e experimentações de formas com os tecidos. Como os tops(blusas) que ganharam mangas-quimono, referência encontrada em recente viagem que a estilista fez ao Japão.

ROCIO CANVAS

Rocio Canvas, do estilista Diego Malicheski, participou pela segunda vez da Casa de Criadores, semana de moda paulistana. Na passarela, o verão 2018 da marca com o instigante título “Já virei parte da mobília”. Nada a ver com acomodação, muito pelo contrário, a coleção sinaliza um momento de explosão  criativa do designer.

O foco na modelagem, verdadeira obsessão para Malicheski, traz nervuras, recortes e vieses que ajudam a emoldurar o corpo. A alfaiataria mole em tecido plano e malha resulta em um oversized contemporâneo e hiperconfortável. Uma novidade: a linha de acessórios Granite em acrílico estampado,que acompanhou as peças no desfile, tem a assinatura de Diego Malicheski.


NOVOLOUVRE

O verão 2018 da Novolouvre encontrou inspiração na estátua “Mulher Nua”, localizada na Praça 19 de Dezembro, no Centro de Curitiba. Projetada por Erbo Stenzel e Humberto Cozzo para representar a Justiça no seu ponto inicial, o Tribunal do Júri,  no Centro Cívico,  foi realocada para ficar próxima ao monumento do “Homem Nu”, compondo assim o conjunto do logradouro que marca a data da Emancipação Política do Paraná, outrora província de São Paulo.

Segundo a estilista da marca, Mariah Salomão, “a estátua da mulher nua, tema da coleção, representa um descontentamento feminista. Afinal, é quase como se ela só tivesse função ao ‘”lado de um homem.’” Por isso, as peças expressam que a mulher é muito segura de si e se veste como gosta.  As peças variam entre shorts, saias curtas e mídi, vestidos, calças flare e pantalonas, tops, macacão e camisas. Decote nas costas, amarrações, recortes e ilhoses são pequenos e marcantes detalhes pontuando a coleção.

Uma retrospectiva de coleções da NovoLouvre foi apresentada no ID Fashion, em setembro. Looks do verão 2018 também estavam na passarela.

ARTHA 

Comandada pelo casal Mariana Bassetti e Chistopher Nascimento, a Artha apresentou em dezembro a coleção “Come as You Are” definindo o novo foco da marca: vestidos exclusivos para festas e principalmente para noivas que buscam o incomum e o inusitado. No desfile evidenciou-se a celebração da pluralidade feminina, com clientes do atelier, com idades entre 25 e 52 anos, de diversos estilos e tipos físicos, atuando como modelos.

YSKI

A novíssima Yski inspira-se em marcas de luxo, como Gucci, para ofertar toques de extravagância às suas peças. A  sua diretora criativa, Juliana Sandeski, busca uma estética nova que reflete a vida urbana e excêntrica trazendo a ostentação para uma reflexão sobre estilo. Um exemplo é a bomber de paetê, que se transformou em objeto de desejo da grife na temporada. A primeira coleção da Yski – Entre Céu e Mar – circula pelo universo glam, com os seus brilhos e texturas, presentes em modelagens esportivas propondo uma ruptura de divisões. Forte a presença de elementos em degradê de cores e matizes.

JACU

Jacu, nome corajoso para uma marca de moda. Foi com esta ousadia que ela surgiu há três anos com o propósito de se revelar simples e básica na sua forma de vestir. Capitaneada por Edson Medeiros, ela se desgruda de tendências cumprindo a tarefa de circular em diversas estações. Um certo ar de “carioquice” paira sobre as roupas – o que não surpreende uma vez que o estilista teve o Rio como seu endereço durante algum tempo. Mas ele faz bem para uma moda que, às vezes, precisa espantar o frio curitibano.

A coleção Verão/18 da Jacu foi apresentada na passarela do ID Fashion, em setembro/17.

VEINE

O sportswear curitibano está bem representado pela Veine, criação de Eric Zelazowski, que seguiu por trilhas e pistas para desenvolver peças – o neoprene é uma de suas principais matérias-primas – que vestem, com praticidade e agilidade, atletas urbanos sem gênero. Eles e elas sentem-se confortáveis nas opções ofertadas pela Veine, que ao ostentar estampas autorais ganha pontos entre os consumidores do time da exclusividade.

O Verão 2018 da Veine foi desfilado no ID Fashion em setembro/17.

LEVEZA DO SER

Não poderia ser mais adequado o nome de batismo da marca da estilista Angélica Sanchez. Depois de trabalhar nos agitados bastidores da Drop Dead, uma emblemática marca curitibana focada nos skatistas, ela se descobriu zen, meditativa e praticante de yoga. A opção não poderia ser mais natural: ao retornar para o universo da moda, ela mergulhou na linha fitness de onde tira a principal inspiração para o desenvolvimento de coleções confortáveis para vestir a mulher urbana – para que ela não perca a leveza mesmo no agitado e desafiador cotidiano dos dias de  hoje.

O Verão 2018 da Leveza do Ser foi apresentado no ID Fashion em setembro/17.

 

NAKYK

Nakyk, sonho realizado de dois amigos – Kayan Cantu e Raphael Stremel – a marca surgiu com a proposta de valorizar o estilo individual.  Com um investimento inicial de somente R$ 750, a primeira coleção da brand teve somente sete peças estampadas com adaptações de referências européias. Mas a receptividade comprovou que a dupla de empresários estava no caminho certo. Com forte participação nas redes sociais eles conquistaram sua primeira rede de atacado. Outras vieram em seguida. Mas a necessidade de ter uma loja física para ter contato direto com o consumidor motivou os dois sócios a investir em 2015 na abertura da primeira loja, localizada no Batel. Na decoração do espaço, pneus, pallets e correntes, uma forma barata e sustentável de criar o clima da Nakyk. Com o apoio da rede de lojas Cia do Luxo, que detectou o potencial do empreendimento , foi inaugurado em 2016 o segundo endereço da marca no Shopping Palladium, com grande sucesso de vendas. Hoje a Nakyk é encontrada exclusivamente em shoppings – está presente em centros comerciais de Santa Catarina, Rio e com planos de expansão para São Paulo, Salvador e Miami.

O verão 2018 da marca chegou às vitrines com a coleção Raise, que contempla três linhas unidas pelo conceito mas diferenciadas pelo aspecto das peças. A Infinity usa cores neutras, a Day Dream explora a imaginação, com imagens surrealistas,  e a Experimental lança mão do rústico, do inexato e das lavagens para criar modelos únicos.

 

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